Em delação premiada, o senador petista
Delcídio Amaral citou um esquema de financiamento de campanhas
eleitorais em troca de repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), principal instrumento do governo para
investimentos na economia do país. Segundo Delcídio, o presidente do
banco, Luciano Coutinho, “de maneira muito sutil”, sinalizava a
aprovação de financiamentos e, em contrapartida, pedia doações a
empresas.
“Que, nas reuniões com Luciano Coutinho,
este, de maneira muito sutil, muito elegante, afirma que estão
tramitando os pedidos das empresas e aparece com outra conversa: nos
ajudem, nas apoiem”, diz o trecho da delação homologada nesta
terça-feira.
O senador diz que a Odebrecht, OAS e
Andrade Gutierrez são algumas das principais doadoras eleitorais e que,
em períodos de campanha, recorrem a financiamentos do BNDES. De acordo
com Delcídio, essas empreiteiras são pragmáticas e, em função de seus
interesses, “financiam pessoas que vão proporcionar as ações que vão de
encontro aos seus planos de negócio”.
Delcídio ressalta, no entanto, que não
presenciou as conversas com Luciano Coutinho e não sabe “se houve alguma
concretude”, mas que os fatos relatados coincidem com sua percepção
sobre a atuação do governo no condicionamento dos financiamentos para
empreiteiras em troca de apoio em campanhas eleitorais. O delator
afirmou ainda que soube do esquema através de diretores de empresas que
procuraram o BNDES, como João Santana, da Constran, do grupo UTC, e
Atilano Oms Sobrinho, presidente do Conselho de Administração do Grupo
Inepar, controlador da IESA. O mesmo teria ocorrido com José Antunes
Sobrinho, da Engevix.
O GLOBO entrou em contato com a
asessoria de imprensa do BNDES e aguarda uma posição do banco. A
reportagem também aguarda posição da Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez,
Constran, IESA e Engevix.
O Globo

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