A delação premiada do senador Delcídio do Amaral
(afastado do PT) foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e
divulgada nesta terça-feira (15). O documento tem 21 termos que citam
políticos e crimes praticados no âmbito do Palácio do Planalto, Senado,
Câmara, Ministério de Minas e Energia e Petrobras.
Delcídio, que ficou preso por 87 dias na Operação Lava Jato, deu os
depoimentos às autoridades em fevereiro. Com a colaboração, ele pode ter
uma eventual pena atenuada. Veja os principais pontos da delação do
senador:
André Esteves e Eduardo Cunha
Delcídio contou que o dono do banco BTG, André Esteves, aceitou dar dinheiro à família do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para evitar o envolvimento de seu nome em investigações da Operação Lava Jato sobre pagamento de propina. Esteves foi preso na operação no mesmo dia de Delcídio.
Delcídio contou que o dono do banco BTG, André Esteves, aceitou dar dinheiro à família do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para evitar o envolvimento de seu nome em investigações da Operação Lava Jato sobre pagamento de propina. Esteves foi preso na operação no mesmo dia de Delcídio.
Do G1, em Brasília
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que faz a defesa do banqueiro André Esteves, informou que o cliente não aceitou pagar dinheiro à família do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para evitar o envolvimento de seu nome em investigações da operação Lava Jato sobre pagamento de propina. Ele também disse que o nome de André Esteves não é citado no anexo 2 da delação de Delcídio, que trata pagamentos ao ex-diretor da Petrobras.
O senador disse ainda que Esteves era sócio de um empresário de São
Paulo que pagou propina a políticos e diretores da BR Distribuidora para
obter embandeiramento de postos de gasolina. Segundo o senador, Esteves
lhe disse que não pagou propina no negócio, mas somente seu sócio,
chamado Carlos Santiago.
“André Esteves disse ao depoente [Delcídio] que não queria ver seu nome
envolvido na apuração de pagamento de propina, pois, nas palavras de
André Esteves, ‘meu banco é meu nome’”, diz um dos trechos do
depoimento. “Ninguém meu foi à BR”, teria dito ainda Esteves ao senador,
para negar que tenha pago propina para colocar a marca BR, da
Petrobras, na rede de postos.
No mesmo depoimento, Delcídio afirma que André Esteves “incorria com
frequência na prática de exercer influência para a alteração, por via de
emendas parlamentares, de
medidas provisórias”.
medidas provisórias”.
O senador disse que o banqueiro nunca lhe pediu para mudar uma medida
provisória com pagamento de propina, “porque tinha outros canais no
Congresso Nacional”.
“Esses canais passavam por Eduardo Cunha, com quem André Esteves tinha
relação densa”, disse Delcídio, sem, no entanto, confirmar se o
banqueiro pagou propina ao presidente da Câmara.
Delcídio disse, ainda, que Cunha era um "menino de recado" de Esteves.
"O presidente da Câmara funcionava como menino de recados de André
Esteves, principalmente quando o assunto se relacionava a interesses do
BANCO BTG, especialmente no que tange a emendas às MPs que tramitam no
Congresso", disse.
O senador também relata na delação que, durante a tramitação da MP 668,
lançada pela presidente Dilma Rousseff em janeiro e aprovada pelo
Congresso em junho de 2015, uma alteração “apresentada por Eduardo Cunha
ou congressista a ele ligado […] foi de lavra do BTG". Segundo o
senador, a mudança na MP permitiria o pagamento de dívidas com o governo
por com papéis de baixa liquidez, mas a medida acabou vetada pela
presidente Dilma Rousseff.
Em seu depoimento no dia 14 de fevereiro, Delcídio também afirma que André Esteves “é um dos principais mantenedores do Instituto Lula”, fundação do ex-presidente. Por meio de nota, o Instituto Lula informou que não comentará o acordo de delação premiada. "O Instituto Lula não comenta falatórios. Quem quiser levantar suspeitas em relação ao ex-presidente Lula que o faça diretamente e apresente provas, ou não merecerá resposta.”
Para Delcídio, a ajuda decorre do fato de Lula “ter sido um grande ‘sponsor’ [patrocinador, em inglês] dos negócios do BTG” e que o ex-presidente “era um alavancador eficaz de negócios para agentes econômicos junto a instâncias governamentais nacionais e estrangeiras”.
Em seu depoimento no dia 14 de fevereiro, Delcídio também afirma que André Esteves “é um dos principais mantenedores do Instituto Lula”, fundação do ex-presidente. Por meio de nota, o Instituto Lula informou que não comentará o acordo de delação premiada. "O Instituto Lula não comenta falatórios. Quem quiser levantar suspeitas em relação ao ex-presidente Lula que o faça diretamente e apresente provas, ou não merecerá resposta.”
Para Delcídio, a ajuda decorre do fato de Lula “ter sido um grande ‘sponsor’ [patrocinador, em inglês] dos negócios do BTG” e que o ex-presidente “era um alavancador eficaz de negócios para agentes econômicos junto a instâncias governamentais nacionais e estrangeiras”.
Na delação, Delcídio diz que o ex-presidente conquistou negócios e
mercados para empresas brasileiras no exterior “utilizando-se de
relações pessoais com chefes de Estado e altos dignitários, em especial
na África”, mas não tem conhecimento de que isso tenha ocorrido em favor
do BTG.
O banco BTG informou que não é e nunca foi mantenedor do Instituto Lula.
O banco BTG informou que não é e nunca foi mantenedor do Instituto Lula.
Eduardo Cunha não quis comentar o teor da delação de Delcídio. Ele
disse que só falará com a imprensa após a reunião de líderes, marcada
para esta tarde. Questionado sobre a sua relação com André Esteves,
Cunha respondeu: "Acho que tem coisa muito mais grave nisso aí para
vocês se preocuparem".

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