O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou nesta terça-feira
(15), em entrevista coletiva na sede do ministério, que "jamais" tentou
impedir o senador Delcídio do Amaral (MS) de firmar um acordo de delação
premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O acordo de Delcídio com a PGR foi homologado nesta terça pelo Supremo Tribunal Federal (STF). (leia o termo assinado por Delcídio no fim da reportagem)
Dentro do acordo, a PGR recebeu de Delcídio uma gravação de uma conversa que revelaria uma tentativa de Mercadante de oferecer ajuda política e financeira para evitar que o parlamentar firmasse acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.
O senador afirma na delação crer que Mercadante agiu a mando da
presidente Dilma Rousseff, por contar com a confiança da presidente.
As conversas de Mercadante reveladas nos depoimentos do ex-líder do
governo não foram diretamente com Delcídio, mas com um assessor de
confiança do senador do PT chamado José Eduardo Marzagão. As conversas
foram gravadas por Marzagão e entregues à PGR, que investiga o
envolvimento de políticos no esquema de corrupção que atuava na Petrobras. (ouça abaixo trechos da gravação)
Conforme a delação premiada de Delcídio do Amaral,
as reuniões entre Mercadante e o assessor Eduardo Marzagão ocorreram
nos dias 1 e 9 de dezembro de 2015, quando o senador do PT ainda estava
preso.
Uma terceira reunião teria ocorrido no dia 28 de dezembro, mas somente
entre Marzagão e uma assessora de Mercadante que teria o apelido de
“Cacá”.
Delcídio só foi liberado da prisão após decisão de 19 de fevereiro do
ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato no Supremo.
Mercadante convocou a entrevista para se defender do teor da delação de
Delcídio. Na coletiva, o ministro comentou trecho da conversa que teve
com o assessor em que ele pede “calma” a Delcídio do Amaral para não ser
um “agente de desestabilização” e para não receber uma
“responsabilidade monumental” por, eventualmente, ter sido.
O ministro da Educação afirma que em vários momentos da conversa com
Marzagão deixou claro que o pedido não “tem nada a ver” com eventual
delação.
“Eu achava que não havia o menor ambiente de ele sair da prisão se não
houvesse uma tese consistente. Os movimentos que ele fizesse na Justiça
iam prejudicar mais ele. Eu jamais tentei impedir a delação. [...] Não
há nenhuma tentativa minha de dizer: ‘Você não pode delatar’. É um
direito dele”, afirmou.
Mercadante afirmou ainda que tem “todo interesse” em que seja
investigada a conversa que teve com o assessor de Delcídio. Ele também
afirma que trechos específicos da conversa foram divulgados, enquanto
outros foram omitidos.
“Eu tenho todo interesse que seja feita e acho que é papel da
Procuradoria-Geral abrir investigação. Não me escondo e não tenho porque
me esconder. Só espero que transcrevam os trechos que não foram
publicados”, disse.
Dilma
O ministro afirmou ainda que não se reuniu com o assessor de Delcídio como “emissário da presidente Dilma Rousseff”. Em sua delação, Delcídio do Amaral afirma crer que Mercadante agiu a mando de Dilma, por contar com a confiança da presidente.
O ministro afirmou ainda que não se reuniu com o assessor de Delcídio como “emissário da presidente Dilma Rousseff”. Em sua delação, Delcídio do Amaral afirma crer que Mercadante agiu a mando de Dilma, por contar com a confiança da presidente.
“A responsabilidade é minha. Me colocarei à disposição e vou procurar o
procurador-geral da República [Rodrigo Janot]. Não se discute uma
questão de governo [na conversa com o assessor de Delcídio]”, disse,
acrescentando que também irá à Câmara prestar esclarecimentos se for
convidado pelos parlamentares.
Perguntado sobre o que Dilma achou da conversa que teve com o assessor
de Delcídio, Mercadante afirmou: “Eu só disse para ela que a
responsabilidade era minha e que daria coletiva e que tinha trechos
fundamentais que não foram publicados”.
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