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quarta-feira, 23 de março de 2016

Em 1992, governo se defendia de “golpe”, e PT via democracia em impeachment

No segundo semestre 1992, o país enfrentava uma situação política quase idêntica a dos dias atuais: crise de popularidade do presidente, acusações de corrupção no governo e pedido de impeachment em curso. Os discursos também eram parecidos: do lado governista, se tratava de um “golpe”; do lado da oposição, o ataque a quem não teria mais “condições éticas e morais” de seguir no poder.
Semelhanças à parte, as diferenças surgem quando vemos quem estava de que lado da trincheira. O UOL foi até os arquivos da Câmara e viu os discursos no período de crise política, entre agosto e setembro de 1992, quando o prosseguimento do impeachment foi aprovado pela Casa.
Na maioria dos casos, os políticos que se degladiavam continuam adversários, mas mudaram de lado e “rasgaram” o que disseram há 23 anos.
À época, o PT — hoje alvo principal alvo dos ataques e correndo risco de deixar a Presidência –, era o mais ferrenho defensor do impedimento do presidente Fernando Collor de Mello. E não perdia um só discurso para pedir a saída do chefe do executivo e rechaçar duramente a ideia de que se tratava de um “golpe”.
“Defender a democracia é defender a saída do presidente da República. Democracia se faz sem corrupção, com respeito e dignidade, usando o dinheiro público a serviço do povo brasileiro. Vamos exercitar a democracia, aprovando o pedido de impeachment de Fernando Collor de Mello”, dizia a então deputada petista Luci Choinacki (SC), no dia dois de setembro de 1992.
Nomes ainda ativos hoje e bem conhecidos no cenário político também tinham discursos bem diferentes. “Não é o Presidente Ibsen Pinheiro, não são os partidos que sustentam o processo de impeachment do Presidente da República e não é esta Casa; mas, sim, a Constituição que estabelece que a autorização é matéria de competência da Câmara dos Deputados”, disse o líder petista à época, o então senador José Dirceu (SP), no dia 10 de setembro.
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